Era dos “apertamentos” tem até imóvel de 14 m². Morar em apartamentos pequenos – seja por escolha, conveniência ou necessidade – é uma realidade cada vez mais comum.

Um lançamento imobiliário, em São paulo, marcará o auge de uma era – a era dos “apertamentos”. O prédio, que será erguido na região central de São Paulo, terá imóveis de 14 metros quadrados. Ou seja, mais ou menos quatro passos de largura por três de comprimento: quase o tamanho de uma vaga de garagem.

Agora imagine espremer num espaço desses uma cozinha, um banheiro, uma cama de casal, uma mesa, algumas cadeiras. Ah, e o morador, claro, já que o apartamento será feito para que alguém viva nele. Naturalmente, o preço do imóvel será proporcional à sua pequenez. Cada um vai custar 89 000 reais. “Acho que é possível fazer imóveis ainda menores”, afirma Alexandre Frankel, presidente da Vitacon, incorporadora que erguerá o prédio. Possível até deve ser — mas há mesmo quem queira morar num apartamento tão minúsculo?

Assim como tantos outros, o mercado imobiliário se movimenta em grandes ondas. Ninguém se preocupava em ter churrasqueira na varanda até outro dia — mas hoje a moda é essa, e de repente esse se tornou um item de primeira necessidade na chamada “vida moderna”. Foi assim com os prédios “neoclássicos”, depois com os condomínios-clube e por aí vai. Há coisa de três anos, começou a onda dos “apertamentos”.

Em 2009, poucos apartamentos com menos de 40 metros quadrados foram lançados na Grande São Paulo, região que concentra a maior parte dos imóveis desse tipo no país. O número começou a aumentar aos poucos, até que em 2013 a moda pegou de vez. Uma estratégia do mercado imobiliário que procurava atender uma demanda de solteiros e recém-casados por imóveis práticos, mais baratos e em prédios repletos de serviços. Parecia fazer sentido.

O fato é que morar em um apartamento pequeno exige algumas adaptações. Conviver em um espaço menor significa acumular menos e doar mais e, sobretudo, saber viver com pouco.

Seja por uma crise financeira, por uma separação ou pelo primeiro passo rumo à independência, quando se sai da casa dos pais, morar em um apartamento pequeno requer um senso prático. É preciso saber viver com o essencial. Mas isso não significa viver mal. É possível ser feliz em pequenos espaços, formando um ambiente acolhedor.

Para algumas pessoas, morar em apartamentos pequenos também significa facilidade na organização das coisas, economia com os serviços e produtos de limpeza e, muitas vezes, um lar mais aconchegante. Fazer móveis sob medida para pequenos espaços é muito mais barato e facilita o aproveitamento da área útil.